Resumo
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é reconhecida, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023) e as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial (BARROSO et al., 2021), como uma das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) mais prevalentes e um dos fatores de risco mais importantes para doenças cardiovasculares, tendo impacto significativo na saúde pública e gerando um ônus social e econômico expressivo. Desta forma, este trabalho teve como objetivo realizar uma revisão sistemática da literatura, analisando a hipertensão arterial (HA) e o desafio da política pública no Brasil, além de avaliar a adequação do cuidado ofertado pelos serviços de saúde brasileiros entre 2013 e 2019 e examinar o papel das desigualdades socioeconômicas. A revisão foi conduzida a partir da análise de dados provenientes de estudos de inquéritos populacionais de série histórica e estudos transversais nacionais, com destaque para o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel, 2006–2023) e a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013 e 2019). Os resultados evidenciaram um crescimento progressivo da prevalência de HAS, uma deterioração na qualidade do cuidado e o agravamento das desigualdades econômicas. O risco da doença mostrou-se maior entre pessoas com menor nível de escolaridade, especialmente aquelas com até oito anos de estudo, e nas regiões de menor renda. Assim, foi possível concluir que é premente a necessidade de reforço das políticas públicas focadas na prevenção primária e na melhoria da qualidade da atenção primária à saúde (APS), visando mitigar a crescente prevalência e reduzir as profundas desigualdades no acesso ao cuidado.
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