Pôster Atenção à Saúde e Bem Estar

A formação médica diante das emergências climáticas: Relato de experiência de uma médica e docente no contexto das enchentes no Rio Grande do Sul

Rosângela Dornelles 1
XXIIICP&XIIME — 23ª Edição-2025 29/05/2026
1 Faculdade Ulbra Medicina São Jerônimo

Os eventos extremos, como enchentes, ondas de calor e deslizamentos, têm se tornado mais frequentes e intensos no Brasil, impondo ao campo da saúde o desafio de revisar processos formativos para responder a cenários de crise. As emergências climáticas configuram um problema sanitário crescente, que exige respostas rápidas, integradas e efetivas dos sistemas de saúde, especialmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse contexto, experiências situadas podem contribuir para reorientar o currículo médico e fortalecer capacidades profissionais alinhadas às necessidades sociais contemporâneas. Objetivos: Relatar e analisar vivências pessoais e profissionais durante as enchentes que acometeram o Rio Grande do Sul em 2024, articulando-as à graduação médica, em especial à disciplina de Medicina de Família e Comunidade, com foco na construção de elementos formativos voltados à preparação para emergências climáticas no SUS. Procedimentos metodológicos: Trata-se de um relato de experiência docente-assistencial. As observações foram registradas a partir da atuação médica no atendimento às vítimas da enchente e da posterior incorporação pedagógica dos achados na disciplina de Medicina de Família e Comunidade. As estratégias didáticas implementadas incluíram aulas temáticas, estudos de caso, rodas de conversa sobre sofrimento moral e análises sobre vigilância em saúde e gestão de riscos nos municípios afetados, estimulando a reflexão sobre determinantes sociais, vulnerabilidades e respostas intersetoriais. Resultados/conclusão: A experiência assistencial evidenciou impactos expressivos sobre a saúde coletiva, com aumento de doenças infecciosas, agravamento de condições crônicas, intensificação do sofrimento mental e fragilização de serviços essenciais, atingindo de modo mais severo populações historicamente vulnerabilizadas. A transposição dessas evidências para o contexto formativo favoreceu o engajamento estudantil e ampliou a compreensão da relação entre mudanças climáticas, desigualdades sociais e prática médica. Observou-se potencial para desenvolver competências como comunicação, liderança, ética e trabalho em rede em contextos de desastre. Conclui-se que o eixo “saúde e clima” deve integrar a formação médica como componente estruturante, fortalecendo a capacidade de análise de riscos, reconhecimento de iniquidades e ação resolutiva no SUS. O relato reforça a necessidade de políticas institucionais, pesquisas e diretrizes curriculares que consolidem a educação médica orientada para crises climáticas e para um cenário sanitário em contínua transformação.

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